sábado, 5 de setembro de 2015

Transforme seu trabalho em um hobby


O questionamento a respeito do sacrifício da vida pessoal para se atingir o sucesso profissional tira o sono de muita gente.
O questionamento a respeito do sacrifício da vida pessoal para se atingir o sucesso profissional tira o sono de muita gente. Ou melhor, segundo Betânia Tanure, professora da Fundação Dom Cabral (FDC) e autora do recém-lançado livro “Executivos: Sucesso e (in) Felicidade”, há quem prefira nem pensar sobre o assunto para fugir do sofrimento. Ela e Herbert Steinberg, conselheiro independente de empresas, estiveram reunidos em São Paulo, este mês, num debate que faz parte de uma série de eventos a serem promovidos pela X Idéias.

De um lado, Betânia, que acredita que não há como encontrar a realização plena, priorizando apenas a atividade profissional. "Aqueles que têm brilho nos olhos, paixão pelo que fazem, sofrem menos com o sacrifício da vida pessoal”, comenta. Ela alerta, no entanto, para a armadilha da satisfação no curto prazo. “No trabalho é possível ter reconhecimento no curto prazo, já âmbito pessoal não. É necessário um investimento muito maior de tempo para se construir relações de confiança e colher os seus frutos. Por isso, costuma-se abrir mão de exercer os papéis relacionados à vida particular. Poucos, aliás, se questionam a respeito de seus outros papéis além do profissional e têm um projeto de vida claro."

Com uma visão diferente, Steinberg acredita que, ao encontrar sua vocação, ou seja, seu propósito de vida, a principal responsabilidade da pessoa passa a ser com o exercício dessa vocação. Assim, fazendo o que se gosta, seria possível obter plena satisfação com a vida. "Quando ajudo alguém a ser presidente, parece que fui eu que virei presidente", comenta.

Ele acredita ter transformado seu trabalho em um hobby. "A relação que você tem com as coisas é que te faz estressado. Então, a saída para a infelicidade é achar uma razão para fazer o que se faz ou mudar de atividade profissional", diz. "Se aprender a surfar a onda, não vai ser derrubado, vai ser uma curtição."

Ambos concordam, no entanto, que para encontrar a felicidade é necessário traçar um projeto de vida, a partir do conhecimento de si próprio e do que tem mais relevância para cada um. Assim, é possível fazer escolhas conscientes e ter clareza do caminho que se está seguindo. "Existe um esforço dos executivos em manter as aparências. A justificativa para isso é de que precisam parecer para continuar tendo, mas esquecem de ser e de encontrar o seu propósito", afirma Steinberg.

Priorizar a vida profissional ou a pessoal é uma escolha de cada um. “Não existe o que é certo e o que é errado. Depende de seu projeto de vida", afirma Betânia. O problema é quando essa escolha não é consciente. Esses são os casos, por exemplo, de executivos mais velhos que se lamentam por não ter tido filhos ou por não ter se dedicado a eles.

"Não é possível ter tudo ao mesmo tempo. Mas é absolutamente possível atingir um equilíbrio razoável, que permanece sempre instável", reforça ela. Para isso, na visão da professora, é importante compreender o momento que se está vivendo para poder decidir do que terá de abrir mão e negociar com a família os períodos em que julgar necessário dedicar-se mais ao trabalho.

Betânia ressalta ainda que, apesar de o indivíduo ter poder de decisão a respeito do direcionamento que dá para a sua vida, o ambiente de trabalho em que ele está inserido também influencia muito em seu nível de dedicação a outros papéis.

Para ela, o clima da empresa também influencia o sofrimento dos profissionais com a dificuldade em se dedicar à família e ao trabalho. E, mesmo com brilho nos olhos e prazer em fazer o que se faz, é mais difícil sobreviver em uma organização que não oferece flexibilidade para o profissional. "Como são a maior parte das empresas brasileiras, autoritárias e paternalistas", conclui.

Steinberg emenda dizendo que o problema se agrava porque as empresas não contratam executivos com o perfiladequado à cultura da organização. Ele exemplifica dizendo que não dá certo colocar um piloto de caça na direção de um jumbo. "Um gosta de viver no limite, outro na rotina e estabilidade", finaliza.

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